quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Angela Villón, una puta en Perú

Nos últimos dias recebemos várias vezes o link para visualizar um vídeo da campanha de Angela Villón, candidata ao congresso peruano pelo partido "Frente Amplio de Izquiera", fundado em 2012 e que vem a ser a unificação de vários partidos da esquerda peruana, que concorrerá em 2016 pela primeira vez nas eleições presidenciais.

Em outro momento tivemos uma candidata a deputada no Brasil, mas Gabriela Leite não conseguiu votos suficientes, mesmo assim nunca deixou de lutar pelos direitos das profissionais do sexo, ou como ela preferia ser chamada "puta". Mas ainda não tivemos nenhuma puta ou putta em nosso congresso.

Os movimentos de prostitutas aos poucos se alastram por toda América Latina, mulheres que buscam por seus direitos mais básicos, "garantidos" pela constituição de seus países. Nos lembram que se fazem necessárias políticas públicas voltadas a seus trabalhos, lutam pelo combate a exploração sexual infantil, por políticas voltadas à educação sexual, discussões de gêneros, e outras várias lutas globais ou específicas de determinadas regiões em relação aos seus governos.

Angela Villón começou a se prostituir aos 16 anos, militou por sua profissão e pelos direitos humanos, e aos 51 anos, ainda trabalhadora - do bordel El Botecito, em Puerto del Callao -, mãe de quatro filhos decidiu se candidatar ao congresso e lutar pelos direitos das "sexoservidoras", como diz em algumas entrevistas. Promete ainda, lutar contra a exploração sexual de menores e punir aqueles que exploram pelo menos "811 mulheres menores de 18 anos, sobretudo na selva", ela diz saber que são grupos e pessoas poderosas, mas não teme a luta contra eles, também promete a educação contra a exploração de mulheres.

Sua carreira política iniciou-se em 2002, com a fundação da organização "Miluska, vida y dignidad" , desde então nunca deixou de militar pelos direitos das profissionais de sua área, pertence ao partido político Tierra y Liberdad e agora se candidatará pela coligação "Frente Amplio de Izquierda" que se formou em 2012 para unificar os candidatos dos partidos de esquerda no Peru. 

Em agosto de 2015 a organização Red Trasex Perú apresentou uma proposta de Projeto de Lei para regular a liberdade do trabalho sexual naquele país, não encontramos notícias sobre que rumos tomou este projeto, mas esperamos que Angela Villón possa aceder ao congresso e lutar por ele.


domingo, 4 de outubro de 2015

Documentário em andamento

Fazer um filme é uma sensação única.

Em 2012, quando começamos a estudar cinema, era muito difícil "desconceber " o imaginário que tínhamos sobre cinema e aceitar toda a leva academicista e teórica que aos poucos íamos engolindo. Aos poucos vimos que só era possível deglutir tanta informação produzindo. Cada vez que pisamos num set é como atravessar ao outro lado do espelho, não há realidade que nos separe da ficção, não há documentário que não é ficcional, não há ficção que não é documental, tudo aquilo que lemos faz sentido, de uma maneira bem mais mágica.


Agora, o peso é bem maior. Falar de tema tão complicado como a prostituição, ouvir em set histórias tão pesadas, bonitas, engraçadas e não poder rir, nem chorar. As entrevistas são muito sérias, cada um concentrado no som, na fotografia, na continuidade, nas perguntas, nas tabelas a serem preenchidas. O cinema antes da tela. É muito pesado roubar a história do outro assim, editá-la e transformar na história que queremos contar.

Quando começamos a campanha não tínhamos noção de quanta gente atrairíamos, como a responsabilidade cresceria. Nos bares da tríplice fronteira nos questionam, visões políticas e sociais, feminismo. Amigos e desconhecidos contam suas histórias pra gente, descobrimos como a prostituição está muito mais próxima de nós, que nós dela. Nossos ouvidos vão virando confessionários.

Cada um que ajuda a campanha aporta sua visão ao documentário, mas no final das contas só as entrevistadas terão voz. Sabemos que editar é manipular o discurso, mas como editar sem recriar o discurso que nos foi confessado? Como não implicar nossa opinião acima da realidade que queríamos, lá no início, mostrar? Corresponder a todas expectativas, sejam estéticas, cinematográficas, profissionais, estudantis, sociais, políticas.

O Putta vai sendo parido a várias mãos. E cada vez que somos questionados somos impulsionados a fazer algo melhor pensado, melhor estruturado, mais abrangente. Acreditamos que o sistema de arrecadação comunitária trouxe para o cinema a participação do espectador na produção de cinema. Estamos nos realizando! Pensamos que era isso que queríamos, mas ainda faltam uns meses pra ter certeza!

Avante Puttas!

Agradecemos a todas puttinhas, puttas de esquina, de bordel, de luxo, puttonas e cafettinas que nos ajudaram até aqui. E pedimos um pouco mais de impulso, já entendemos que vocês acreditam na gente, agora só precisamos uns reais a mais. É TUDO OU NADA! Se não alcançarmos a meta de 3.000 não dá pra pagar as dívidas que já estamos criando e o dinheiro arrecadado volta pros bolsos de cada um que acreditou até agora. VAMO CARAJO!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Putta, um documentário

Hoje começou a campanha de arrecadação para a produção do documentário Putta. Recorrremos a ideia de crowdfunding, ou financiamento coletivo porque sozinhos não temos condições de produzir este documentário, mas achamos que o interesse de que um documentário deste tipo fique pronto é de muitas pessoas também, por isso uma forma colaborativa, onde todos ganham, uma vaquinha online!

Este é o teaser que apresenta o projeto e a necessidade de financiá-lo coletivamente.





terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cartaz!

Somos estudantes de Cinema e Audiovisual da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), estamos trabalhando em um documentário como trabalho final do curso, o documentário se chama Putta, é sobre a vida de três prostitutas na cidade de Foz do Iguaçu. O documentário já está em andamento e logo teremos um teaser pronto.

Sigam a página no facebook: https://www.facebook.com/puttadoc


domingo, 13 de setembro de 2015

Soneto de Todas as Putas

Não lamentes, ó Nize, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:

Dido foi puta, e puta d'um soldado;
Cleopatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua proa,
O teu conno não passa por honrado:

Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, ó Nize, duvidosa
Que isso de virgo e honra é tudo peta.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Documentário

Aos que ainda não nos conhecem, o projeto "Uma Putta" desenvolve atualmente um documentário na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, narrando a vida de algumas prostitutas da cidade. E contamos com o apoio de todos que acompanham a página, em breve traremos mais informações e as primeiras imagens da produção.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Prostitutas atrizes

Muitas vezes as prostitutas trabalharam em filme pornográfico ou as atrizes pornográficas se prostituíram, mesmo quando não há o intercâmbio entre as duas áreas ambos arquétipos femininos são visto desde uma mesma ótica. Hoje, pesquisando sobre as mulheres no cinema brasileiro me deparei com o seguinte relato sobre um curta que não encontramos, mas se alguém souber algo manda pra gente:

A apreciação por temas contundentes continua, e em 1969 ela dirige Solo, curta de 1min e 12 segundos.

Solo é sobre o erotismo de uma mulher de meia idade, solitária, em meio a um ambiente católico.
Protagonizado por Irene, uma prostituta de São João Del Rei, o filme foi exibido no Festival JB Mesbla, em Belo Horizonte e em cidades de outros estados.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Balada de Gisberta


Gilberto Salce Junior, a travesti Gisberta, nasceu em São Paulo em 1960 e morava em Porto - Portugal - há 25 anos, quando foi assassinada em 2006. Gisberta fez espetáculos transformistas e se prostituiu naquele país. Foi assassinada, em 2006, após 48 horas de tortura, violência sexual e espancamento por menores de idade. Recordada pelas amigas como uma travesti linda, diferente das outras, muito inteligente e bem informada, Gisberta é tema da música de Pedro Abrunhosa, cantada por Maria Bethânia:



Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p'ró nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
E a distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe...
E a dor é tão perto

EU MATEI GISBERTA
Eu matei a Gisberta. Você também a matou. Você se lembra da Gisberta? Não? Calma, eu te faço lembrar. A Gisberta era uma mulher alta, de pele clara, com longos cabelos negros e olhos castanhos; uma mulher dócil, muito cuidada e que exaltava feminilidade. Gisberta era um sonho, um desejo, uma essência. E queria ser feliz, como qualquer outra pessoa. O que muitos não sabem é que Gisberta era uma transexual que vivia de fazer shows em bares, à noite, e que, infelizmente, hoje está morta. Tiraram a vida da Gisberta aos poucos. Socaram o seu rosto até sangrar e ficar deformado. A espancaram até a morte: com paus, pedras, socos e xingamentos – sim, com xingamentos, porque xingar também fere. Quem matou a Gisberta? Eu. Eu matei a Gisberta. E você também a matou. Matou, quando zombou do seu coleguinha da quarta série por ser diferente. Matou, quando olhou torto para um homossexual que passava ao seu lado. Matou, quando se espantou ao ver duas mulheres de mãos dadas. Matou, quando foi contra ao casamento gay. Matou, quando disse que era pecado duas pessoas do mesmo sexo se relacionarem. Matou, quando foi contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Matou, quando propôs que fossem criados banheiros e locais reservados para homossexuais. Matou, quando xingou de “sapatão” ou “viado” uma pessoa diferente de você. Matou, quando não aceitou a orientação sexual do seu filho. Matou, quando expulsou de casa esse tal filho. Matou, quando desrespeitou uma travesti na rua. Matou, quando feriu os direitos humanos. Matou, quando foi homofóbico. Matou, quando foi preconceituoso. Nós matamos a Gisberta e sei que muitas outras Gisbertas ainda serão mortas. Porque nós somos assassinos em série: nós matamos milhares de Gisbertas todos os dias com o nosso preconceito.

— Marcelino Gomes, inspirado na história de Gilberto Salce Júnior, mais conhecido como Gisberta, uma transexual que foi brutalmente assassinada em Portugal, em 22 de Fevereiro de 2006, vítima de um dos mais terríveis males da humanidade: o preconceito. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Discussões sobre a PL Gabriela Leite

O projeto de lei "Gabriela Leite" (PL 4211/2012), do deputado Jean Wyllys, atualmente arquivado, prevê a regulamentação das prostitutas, o projeto pode ser lido aqui. Muito se discute, para além dos que estão contra ou a favor da regulamentação da prostituição, como os que estão contra a regulamentação do aborto, a legalização de algumas substâncias químicas e outras modificações nas leis que fazem parte da sociedade contemporânea. Continuando, para além disto, entre as pessoas que acreditam realmente que deve haver garantia de direitos para a prostituição, já reconhecida como profissão/ocupação no Brasil. Hoje vamos apresentar o debate trazido pela ativista Monique Prada.



Monique afirma que o projeto de lei tem muitos problemas, não abrange todas as formas de trabalho, não deixa alguns pontos claros, pode gerar outros problemas, relembra a morte de Gabriela Leite como a perda de uma unidade no movimento nacional das prostitutas, leiam na íntegra:

Indianara